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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Casos de violência entre menores, sobretudo no namoro, já são 10 por cento do total de queixas

«Educação +»: projecto pioneiro da ADDIM pretende
que a sensibilização contra a violência comece nas escolas



O mês de Novembro é especialmente dedicado à luta contra todos os tipos de violência. É nesse contexto que, no dia 20, a ADDIM, Centro de atendimento à Vítima do Porto, vai promover uma jornada contra a violência doméstica e participará, dia 22, numa marcha na Baixa do Porto contra a violência doméstica e de género.
Um dos projectos que a associação está a desenvolver denomina-se «Educação+» e pretende trabalhar a cidadania, a igualdade de género e o respeito pelos Direitos Humanos junto dos alunos das escolas do concelho do Porto, abrangendo mais de 1100 adolescentes.
A necessidade de começar este trabalho de sensibilização na adolescência é cada vez mais premente, facto comprovado pelo número crescente de queixas de violência entre menores. “Das 27.318 queixas apresentadas no âmbito da violência doméstica, 10% foram participadas por menores de 16 anos. A violência nas relações de namoro assume entre os jovens valores inquietantes de vitimação e de perpetração. No namoro há muita violência e os agressores são os rapazes, mas também as raparigas”, revela Carla Mansilha Branco, presidente desta IPSS, acrescentando que “a violência é biunívoca, difere do contexto de violência conjugal onde as vítimas são esmagadoramente mulheres”.
Em marcha desde o passado dia 13 de Outubro, o projecto «Educação+» terminará no final do presente ano lectivo e constará de treze sessões de esclarecimento com especialistas, divididas pelos três períodos escolares, onde a ADDIM vai tentar “que no final os jovens sejam capazes de perceber os sinais de alerta de uma situação de violência no namoro, ou de bullying, e que eliminem comportamentos assentes em crenças, tais como ‘ciúmes é prova de amor’, ou que se deve responder à violência com violência”, sustenta Carla Mansilha Branco. E, para que sejam capazes de reagir perante estes sinais, pretende-se que os jovens em idade escolar consigam “desenvolver competências comunicacionais que lhes permitam resolver os conflitos tendo por base o diálogo e a assertividade”. Nos últimos anos o combate à violência doméstica tem sido feito utilizando estratégias de intervenção secundárias e terciárias, isto é, atacando o problema quando ele já está instalado. O trabalho que está a ser levado a cabo pela ADDIM privilegia a detecção precoce de sinais de violência e a intervenção imediata.
Segundo a World Health Organization, factores como as características biológicas, a influência parental e comunitária, drogas ou gangues são determinantes para o jovem desenvolver comportamentos violentos. A resposta passa pela consciencialização para as consequências de actos violentos e a escola constitui-se como um espaço onde esses comportamentos são evidenciados, uma vez que é lá que grande parte deles passa mais tempo por dia. “É um espaço de transmissão de saberes e aprendizagem, mas também o palco onde se desenvolvem as primeiras amizades, relacionamentos amorosos e onde são aplicados os valores culturais e educacionais que lhes são transmitidos pelo meio em que se inserem”, sublinha a responsável da ADDIM.
Criada a 3 de Setembro de 1999, a ADDIM surgiu da vontade de um grupo de cidadãs que, sensíveis aos obstáculos em denunciar crimes de violência perpetuados contra mulheres e crianças, tomou a iniciativa de fundar uma associação que as defendesse, promovendo a valorização pessoal, profissional e social das suas utentes no combate à exclusão social e à perpetuação da diferença.

No ano passado, a associação inaugurou um novo centro de acolhimento, a funcionar na Rua Bento de Jesus Caraça, no Porto, num espaço cedido pela Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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