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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dias 27 e 28 de Novembro, na Casa do Infante

Academia Europeia das Ciências
vem ao Porto antecipar o futuro

Vários dos mais reputados investigadores e cientistas internacionais vão encontrar-se no Porto, a 27 e 28 de novembro, para refletir sobre «O futuro da Ciência no Séc. XXI: Ciência e Ética», no âmbito de uma iniciativa da Academia Europeia das Ciências (EURASC). O evento, que tem lugar na Casa do Infante, integra um simpósio com palestras sobre temas de diversas áreas que têm efeitos objetivos para o cidadão comum, bem como reuniões magnas dos órgãos da academia e um painel de conferências pelos mais recentes premiados pela EURASC devido aos seus trabalhos de investigação em diferentes domínios, da matemática à medicina, à física, à engenharia, à química e à computação, entre outros.
“Vamos ter entre nós alguns dos expoentes mundiais da atualidade nos campos das diversas ciências e da investigação”, sublinha o professor de medicina Rui Nunes, coordenador do "Porto, Cidade de Ciência" que, juntamente com o Pelouro da Educação, Organização e Planeamento, apresentou a candidatura da Câmara do Porto à organização do evento, vencendo a várias outras propostas europeias de relevo.
"Esta é uma excelente oportunidade conquistada pela cidade para trazer a ciência até aos cidadãos e estimular neles o interesse pelo conhecimento científico, já que vamos refletir sobre questões concretas que têm a ver com o dia-a-dia de qualquer pessoa", sublinha Rui Nunes. Depois de Bruxelas, Bolonha, Atenas, Milão, Liège e Toulouse, chega assim a vez de o Porto organizar esta iniciativa com forte impacto no turismo e na cultura científica internacional, que constitui também uma promoção do potencial do Porto para a realização de eventos internacionais, devido à notoriedade da EURASC e ao prestígio dos seus membros.
A primeira intervenção do simpósio vai questionar se o Homem deve ou não aproveitar a capacidade que tem de intervir sobre o oceano para diminuir o efeito de estufa e o aquecimento global. A interrogação será lançada por Paul Tréguer, professor emérito do Instituto Europeu para os Estudos Marinhos (IUEM), na Universidade da Bretanha Ocidental, em Brest (França).
A propósito dos atuais tempos de crise, o professor Simon Berkovich, do Departamento de Ciências de Computação da Universidade George Washington, por sua vez, vai recordar que um dos maiores medos da espécie humana é o medo de uma ideia nova, e lançar a provocação: “Podemos dar-nos ao luxo de esperar mais 50 anos sem apoiar verdadeiramente ideias novas?”.
Com abertura pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e pelo presidente da EURASC, Claude Debru, historiador e filósofo que se debruça sobre as ciências da vida e da medicina, o simpósio inclui uma palestra sobre os desafios das ciências dos materiais a propósito da influência biológica das nanopartículas, pelo professor João Rocha do Departamento de Química (CICECO) da Universidade de Aveiro.
As questões da ética, que dominam o encontro, serão alvo de duas palestras, nomeadamente por Claude Debru, que falará sobre a ética na formação dos cientistas e dos médicos, e por Rui Nunes, que é o responsável pela Bioética e Ética Médica na Faculdade de Medicina da UP e presidente da Associação Portuguesa de Bioética. Rui Nunes falará sobre «Ciência, ética e bioética», analisando diversos aspetos polémicos relacionados com a temática, dos direitos individuais à vertente legal, passando pela perspetiva moral e outras.
Serão igualmente levantadas questões como as da ética na investigação animal, pela investigadora Anna Olsson, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da UP, e a da eventual ameaça da ciência pela moda com a consequente alienação de um modelo de desenvolvimento verdadeiro e criativo das gerações jovens, por Manuel García Velarde, professor emérito da Universidade Complutense de Madrid e especialista em física de fluidos.
A par do simpósio, também na Cerimónia de Prémios a EURASC apresenta questões científicas sob a forma de palestras, contando para tal com as participações de nomes particularmente distintos na comunidade científica mundial e que a própria Academia Europeia das Ciências galardoou neste ano com a Medalha Blaise Pascal. São os casos do químico galês Sir John Meurig Thomas, a partir de cujo nome foi chamado o fosfato Meurigite; do matemático alemão Eberhard Knobloch, presidente da Sociedade Europeia para a História da Ciência; do químico alemão Hubert Schmidbaur, que tem estudado principalmente as propriedades do ouro e da prata; do oceanógrafo francês Jean-Pierre Gattuso, estudioso do ciclo do carbono e dos impactos das mudanças globais nos oceanos; e do físico suíço Daniel Loss, especialista em quântica e matéria condensada.

A Academia Europeia das Ciências é uma das principais instituições europeias e mundiais, no âmbito das academias de ciência. Com mais de 700 membros, incluindo um vasto número de laureados com o Prémio Nobel, é uma organização independente sem fins lucrativos, não-governamental, que visa estabelecer uma colaboração internacional entre governos, investigadores, engenheiros e cientistas.

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